"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte
13/08/2007 19:50
Não é o que parece
A capa do iG trouxe a foto e o título-legenda acima: "Queda da roda gigante - Acidente em parque mata quatro
Imediatamente, um leitor reagiu:
"Caro Ombudsman,
O que é isso?
Entrei no iG na manhã desta segunda-feira e me deparo, de cara, com um menino pendurado em uma roda gigante, visivelmente morto. Pergunta: o iG virou palco de ritual macabro? A mesma manchete e foto se repetiam, como o senhor pode ver nos anexos que mando, na capa do Último Segundo... publicar fotos de crianças mortas enforcadas, ao que parecia, na capa do site, não só é falta de respeito como é, principalmente, uma demonstração clara do amadorismo do jornalismo praticado por esse veículo.
Fico triste...
Obrigado."
André Barros
O ombudsman foi apurar. E descobriu o seguinte: segundo a reportagem destacada pelo iG, quatro pessoas que estavam dentro do vagão morreram quando o compartimento abriu. A foto, então, não mostra o resgate de uma pessoa morta, mas de um menino sobrevivente. Só que não foi assim que o iG divulgou, como se nota nos títulos publicados na capa do portal. O título da capa não informa que a imagem mostrava um resgate. O título fala apenas dos mortos. O leitor foi induzido a erro.
Em resposta, o diretor de Conteúdo do iG, Caique Severo, confirma que a foto é de um dos sobreviventes, e não de um dos mortos. Veja abaixo a resposta do diretor:
"A foto da reportagem em questão é de um menino sendo resgatado no acidente. Essa informação está clara na página da matéria. No entanto, durante alguns minutos a foto da capa do iG e da página principal do Último Segundo não deixavam clara essa informação. Ao identificar esse problema, a equipe do iG mudou a legenda para:
'Bombeiros resgatam feridos'
'Acidente em parque coreano mata 4'
Quando um recorte da mesma imagem do menino resgatado é ampliado e mais iluminado, como foi se vê na foto acima, percebe-se a diferença. Entretanto, o tamanho em que a imagem foi apresentada no site, assim como a legenda que fala de mortos - e não de resgate - provocou a revolta do leitor.
Problemas assim acontecem, mas podem ser evitados por meio de edição mais cuidadosa. É essencial ler o que dizem as legendas que as agências enviam junto com as fotos. E colocar-se no lugar dos leitores, esclarecer o que está acontecendo no momento da foto, descrever a ação realizada e a situação dos envolvidos. Fotos são informações que atraem muita atenção. No jornalismo, seu entendimento adequado depende de um contexto, que é fornecido pelos editores a partir das informações de que dispõem. Títulos, subtítulos e legendas são, portanto, decisivos para o entendimento adequado. No caso, o erro não foi intencional. Mas o sensacionalismo, mesmo que não seja apenas resultado de cochilo na edição, sempre afeta a credibilidade. O erro, presente também na capa de "Mundo" no início da noite, mostra que até a atualização parece ter sido esquecida. Enquanto a maior parte dos sites internacionais contabiliza cinco vítimas fatais, a nota do iG ainda estava com atualização das 12h57, computando quatro mortos.
enviada por Mario Vitor Santos
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