"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
31/08/2007 20:20
O dono do conteúdo é rei
Quem quiser credibilidade e prosperidade na internet deve prestar atenção ao óbvio: a qualidade do conteúdo vale cada vez mais. Refiro-me a dinheiro e graúdo.
A rede noticiosa de televisão CNN anunciou nesta quinta-feira um aumento de recursos materiais e humanos para a produção de conteúdo jornalístico próprio. A CNN rompeu com a agência de notícias Reuters e vai usar os recursos numa equipe própria. A informação foi divulgada de maneira objetiva pela Reuters e publicada pelo Último Segundo, do iG.
A reportagem da Reuters informa que ao fazer o anúncio, o porta-voz da rede CNN, Nigel Pritchard, falou de uma tendência - que deveria chamar a atenção de todos os que dirigem empresas jornalísticas. Diz Pritchard sobre a mudança: "Isso tudo é sobre nós (CNN), não sobre a Reuters. Isso é sobre propriedade de conteúdo... Tudo está mudando e o dono do conteúdo é rei", disse ele. A jornalista Kenneth Li, que assina a reportagem da Reuters, procurou ouvir a própria agência, que preferiu não se manifestar.
A mudança expressa a mesma avidez por conteúdo próprio que estava por trás da compra, em 31 de julho, do controle do The Wall Street Journal pelo mega-empresário de origem australiana Rupert Murdoch, por 5 (outros dizem 5,6) bilhões de dólares, uma quantia muito superior ao valor das ações do grupo. O Journal é um dos veículos econômicos com mais prestígio no mundo, em função da competência dos seus profissionais e da qualidade do jornalismo que eles produzem.
Quando Murdoch comprou o Journal, leitores e jornalistas temeram pelo futuro do veículo e muitos ainda temem. "A possibilidade de jornalistas empenharem seu tempo e a liberdade para acompanhar uma história, este não é o tipo de jornalismo pelo qual Rupert Murdoch é conhecido", afirmou o jornalista E.S. Browning, colunista do WSJ celebrizado por desmontar os clichês da cobertura econômica.
O que importa é que depois da News Corporation (de Murdoch), uma empresa não conhecida por valorizar o jornalismo de qualidade, pagar um preço estratosférico para obter o que não tem, agora é a vez da CNN movimentar-se para valorizar (ou ao menos dizer que vai valorizar) a produção própria de conteúdo jornalístico. Tomara que essa tendência se espalhe.
Abaixo, alguns links do New York Times (em inglês) sobre o assunto:
- Murdoch, Ruler of a Vast Empire, Reaches Out for Even More
- Murdoch's Dealings in China: It's Business, and It's Personal
- Rupert Murdoch
- When a Competitor Makes Headlines
enviada por Mario Vitor Santos
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