"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
13/09/2007 12:17
É a hora do Manual - final
Outros dois pontos importantes a ressaltar nessa análise do Manual do Último Segundo referem-se à transparência. O iG diz estar comprometido com a publicação de correções. Um verbete do Manual, acrescentado agora nesta versão 1.2, recomenda (o que é muito brando) divulgar retificações imediatamente. Veja o texto: Se por qualquer circunstância o Último Segundo divulgar uma notícia errada, deve publicar uma retificação imediata, a Errata, e com destaque. Nela, vai indicar claramente que se errou e dar a informação correta.
Para isso, foi criada no Último Segundo uma área de erratas. Entretanto, é importante notar que a área quase não tem sido utilizada. Até agora só foram publicados ali três correções. A primeira correção refere-se a texto do dia 17 de abril passado (veja aqui). A correção mais recente publicada ali é do dia 1º de agosto (veja aqui), ou seja, há 44 dias. Será que o iG não cometeu erros desde então? Será que o iG comete tão poucos erros? O Último Segundo que tem errado pouco? A rotina do Último Segundo parece ser a de corrigir os textos das notas publicadas, quando os erros são detectados. Além disso, ao menos nos erros relevantes, o iG deve registrar as correções na seção de erratas, o que torna os procedimentos mais transparentes e mais permanentes também.
A última consideração diz respeito ao verbete chamado Embargo. Ali se estabelece o seguinte: que todas as notícias que envolverem as empresas acionistas da Brasil Telecom, controladora do iG, BrTurbo e iBest, bem como dos concorrentes do Internet Group, (...) jamais poderão ter destaque no Último Segundo sem consulta prévia à direção de conteúdo da empresa. Isso se dá em função do ambiente hipercompetitivo em que se vive no mercado de internet e de telecomunicações.
Como foi dito em duas notas anteriores, para manter a transparência, é positivo que o iG também noticie os assuntos da Brasil Telecom. Já que há este embargo, pelo menos ele está explícitado no manual de redação, disponibilizado ao público.
Ainda há muito a percorrer. A publicação do Manual é apenas um passo. Para a redação do Último Segundo, o manual está em vigor desde 24 de agosto de 2006. Apesar disso, muitas de suas regras não têm sido cumpridas e talvez não sejam nem mesmo bem conhecidas. É preciso saber se existem condições para que sejam observadas. Caso isso aconteça, não há dúvida da melhoria na qualidade do jornalismo do portal.
Se o jornalismo dos internautas também é jornalismo (citação do iG durante a estréia da nova capa do iG), talvez seja necessário adaptar o manual para todo o iG, com diferentes versões para as outras áreas, e cobrar para que suas regras tenham validade sempre. A publicação das regras do manual já mostra as boas intenções. Agora é hora de zelar com toda energia para que o manual seja levado a sério. Depois, pode ser tarde.
enviada por Mario Vitor Santos
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)