"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
10/09/2007 16:01
Manual do Último Segundo eleva compromissos do iG
O iG tomou uma iniciativa importante ao publicar no portal o Manual de Redação que determina como deve ser o Último Segundo, seu serviço de informações jornalísticas para os leitores. O Manual, ou a Bíblia, como muitos se referem aos manuais, já era conhecido há meses pelos jornalistas do portal, mas não tinha sido divulgado amplamente. Manuais são instrumentos para aprimorar a qualidade. Os grandes veículos de comunicação têm manuais em que estabelecem compromissos públicos, nem sempre cumpridos. Mas, são um patamar importante para basear o exame das questões jornalísticas. O próprio texto do manual do iG afirma que usa como referência o Manual de Redação de Estilo que o jornalista Eduardo Martins escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo, aprimorado com contribuições dos profissionais que compõem o Último Segundo. O objetivo do texto é garantir credibilidade, proporcionar a máxima usabilidade, facilitar a leitura e manter um padrão de qualidade constante em todas as páginas (pág 1 do Manual) do Último Segundo.
É o caso de repetir com atenção: padrão de qualidade. O iG promete estabelecer um padrão de qualidade como conseqüência da edição de seu manual e da adoção das regras que ele prescreve. E que padrão de qualidade é esse?
O primeiro objetivo do iG, diz o Manual, é ser o principal endereço de informações do Brasil, tanto pelo volume e qualidade dessas informações como pela sua isenção, credibilidade e confiabilidade (pág 2 do Manual). Não é um compromisso qualquer. Preste atenção: o iG almeja ser o principal endereço de informações do Brasil, tanto em volume quanto em qualidade. Promete tornar-se o melhor endereço, como conseqüência de sua isenção, credibilidade e confiabilidade. É uma ambição salutar e também muito ousada. Factível? Só a prática dirá.
O Último Segundo diz basear-se em cinco princípios. O primeiro é o compromisso com o leitor, e só com ele. Isso, diz o texto, garantiria reportagens independentes, por que o Último Segundo mantém-se independente de todo o tipo de lobbies e pressões(pág 3 do Manual). Outro marco ético fundamental diz respeito a recusar qualquer acusação sem confirmação exaustiva.
O texto do Manual fala por si: O Último Segundo não é promotor, não é juiz, não é tribunal. Não se considera quarto poder e nunca usa os seus meios de comunicação e divulgação para acusar, proteger, perseguir ou realizar julgamentos de qualquer origem ou espécie (pág 3 do Manual).
Trata-se de um compromisso essencial. É muito importante que ele seja tão explícito. A partir de agora, diz o Manual, as notícias do iG não farão julgamentos de qualquer origem ou espécie. Parece uma promessa até muito radical e utópica. Não pode ser levada ao pé da letra, pois qualquer notícia sempre implica algum tipo de julgamento, presente desde a mera decisão de apurar, na seleção das fontes, na decisão, na forma da publicação e até no espaço que vai ser reservado para ela. Tudo é julgamento. Como então fazer jornalismo sem fazer julgamentos de qualquer origem ou espécie? O texto não explica. Na origem da norma, há uma boa intenção. O manual quer evitar injustiças e justiçamentos. O jornalista do iG deve sentir-se livre para recusar aquelas coberturas coletivas, em que todos os veículos se unem para condenar alguém. Liberdade o jornalista tem, diz o Manual. Precisa agora exercê-la.
A partir destes princípios, o Manual prescreve uma série de normas consagradas (o que não quer dizer que sejam praticadas) do bom jornalismo. Veja algumas regras:
Boato, não Diz o Manual: O Último Segundo não publica boatos (pág 8 do Manual). Pode ser difícil estabelecer o que seja boato em cada caso concreto, mas o princípio é bom. Por exemplo: a notícia de que os EUA reduzirão suas tropas no Iraque até o fim do ano é boato ou não? Isso não impede que se ouçam fontes sobre essa especulação.
Checagem, sim - Nenhuma notícia produzida pela redação do Último Segundo deve ser publicada se houver alguma dúvida sobre a sua veracidade, ainda que o jornalista acredite que a informação seja 99% certa. Esses 99% não são suficientes. A notícia não deve ser publicada ainda que se saiba que outras agências ou meios de comunicação pretendem divulgá-la. É preferível levar o furo a disseminar informação duvidosa. Se alguma notícia for incorreta, o fato de ter sido divulgada por outras agências não deve servir como álibi ou motivo de consolo. No caso de notícias de outras fontes, elas não devem ser destacadas se houver alguma dúvida sobre sua veracidade (pág 10 do Manual). É um princípio fundamental, que para ser aplicado demanda investimento em pessoal, em bons jornalistas, reunidos numa redação que realize no mínimo a checagem das informações que publica. É preciso esclarecer o que significa notícia produzida pela redação do Último Segundo. Quer dizer que notícias produzidas por parceiros não serão checadas pelo Último Segundo antes de publicadas? Se for assim, entre 70% e 90% do que o Último Segundo publica provém de parceiros, e não será checado pela equipe do iG. A norma, então, torna-se inócua para a maior parte do conteúdo.
A análise do Manual do iG continua a seguir.
enviada por Mario Vitor Santos
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