"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

11/09/2007 17:41

Manual prega jornalismo na rua, em busca de fatos e fontes

Ir à fonte – Diz o Manual: “As informações devem ter fontes claramente identificáveis”. Excelente princípio. Falta esclarecer se a norma vale para todas as reportagens do Último Segundo, inclusive as de parceiros. Por exemplo, hoje o Último Segundo publicou reportagem assinada por sua própria Redação dando informações sobre a situação de baixa umidade do ar, o que favorece a proliferação de diversos problemas de saúde e desconfortos físicos. A reportagem não cumpre as recomendações do Manual. Limita-se a reproduzir conselhos de fonte oficial. Neste caso, existem acusações de que as autoridades não dispõem de nenhum plano de orientação à população para controlar os efeitos maléficos dessa condição atmosférica. A reportagem do Último Segundo não falou com nenhum doente, médico, profissional de educação física. Não visitou hospitais nem falou com pneumologistas e pessoas acometidas de crise respiratória. Não falou com crianças e idosos, os que mais sofrem. Faltou, portanto, cumprir o Manual. Falar com as fontes, todas elas.

Sem opinião – O Manual proclama: “Os textos produzidos pelos jornalistas procuram ser objetivos e podem ser analíticos – mostrar os fatos, suas causas e conseqüências – mas não podem ser opinativos”. Nada a reparar. A mistura de opinião e informação no jornalismo é ainda maior na internet. Um site jornalístico que se preze deve defender o espaço das informações “objetivas”, “diretas”, s”simples” e “imparciais”. Muitos podem não saber o que isso seja, mas têm uma boa idéia do prejuízo que seria a sua eliminação.

Utopia salutar – Uma norma do Manual é digna de menção: “No caso de um texto produzido de forma precária em função do “tempo real”, a redação do Último Segundo inclui na reportagem o texto ‘O Último Segundo continuará a tentar contato com Fulano para ouvir sua versão’ até que a referida parte seja ouvida”. A norma precisa ser praticada. Essa é uma responsabilidade dos editores. Pode parecer uma mania no início, mas é um compromisso. Bom jornalismo depende de investigação de todos os lados envolvidos numa notícia.

Olho no olho - Apesar da relevância das agências de notícias e dos parceiros, o manual também cita a importância da reportagem, com “todo o esforço possível para fazer as entrevistas pessoalmente, olhando no olho do entrevistado”. Já deu para notar que o manual supõe uma grande equipe de editores e repórteres pondo em marcha uma máquina de apuração, sob o comando de profissionais capacitados a selecionar e editar, com critérios jornalísticos de relevância.

No local – Hoje, coincidentemente, faz seis anos do atentado às torres gêmeas que mudou a história do mundo. O iG não enviou ninguém ao local e deveria tê-lo feito. Era a ocasião de fazer um balanço, com olhos e ouvidos brasileiros, desse mundo, e dos fatos que causaram mudança tão grande. O único profissional do iG que se encontra no local é o colunista Caio Blinder, que hoje escreveu um artigo para coluna de análise da política internacional. Porém, diz a norma do Manual do Último Segundo: “O jornalista deve tentar ir ao local da notícia. Uma rebelião em penitenciária não deve ser coberta apenas pelo telefone; uma informação completa e detalhada sobre um desfile de moda fica melhor quando o repórter assiste ao desfile”

A análise da do Manual do Último Segundo, que o iG tornou agora público, prossegue amanhã.

enviada por Mario Vitor Santos






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)