"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

04/09/2007 19:54

Quando o leitor é ombudsman

O desejo de que o iG apresente um serviço de qualidade é muito grande entre os internautas, a julgar pelo caso exemplar do engenheiro Djalma Schwindt, que leu o Manual do Último Segundo (serviço noticioso do iG), publicado recentemente, e tomou a iniciativa de escrever a seguinte mensagem apontando erros sérios em uma reportagem sobre o choque de trens no Rio.

Diante da decepção com uma reportagem mal-escrita e confusa, Schwindt não "trocou de canal", como é tão comum quando algum serviço decepciona. Ele encarou o problema e deu-se ao trabalho de listar as imperfeições elementares do texto do iG. Depois, enviou para o ombudsman. Veja:

"Bom dia.
Não sei este assunto é tratado com você (desculpe a intimidade). Fiz o download do Manual do Último Segundo. Muito bom e interessante. Vou utilizá-lo. Não sou jornalista. Sou engenheiro e gosto muito do nosso português e admiro muito técnicas que nos orientam a redigir de forma clara, correta e objetiva. Hoje eu estava lendo, no Último Segundo, a notícia sobre os trens que se chocaram no Rio de Janeiro. Surpreendeu-me a forma confusa em que esta notícia está redigida, indo de encontro aos objetivos expressos no manual. Se me permite uma análise, a notícia começa com:"



"Conclusão é que um trem, sem passageiros, fazia uma ultrapassagem quando foi atingido por um trem com passageiros."

"Em seguida vem o texto:"



"No texto, "Ele" é o técnico que estava no trem vazio que estava, agora sabemos, em teste. A informação que o trem desviou para ultrapassar deve ser melhor esclarecida pois um trem não é como um carro que "dá seta" e sai pela esquerda. O desvio é controlado por uma central. Não é o maquinista que resolve mudar de linha."

"Em seguida vem mais um trecho:"



"No trecho, conclui-se que o maquinista do trem de passageiros queria chegar à chave que o levaria de volta ao trilho original? Quem desviou afinal? Qual trem deveria voltar ao trilho original? Está confuso."

"No segundo trecho destacado, o texto estruturado desta forma dá a entender que, segundo o técnico, o trem atingiu a outra composição. Afinal, onde estava o técnico?"

"Outro trecho:"



"Os verbos são "havia acabado" e "passam". Acho que tem algo errado aí."

"Ainda em outro trecho:"



"Há erros de gramática que levam a conclusões errôneas. Não nesta frase, que expõe algo bastante simples, mas, em outras frases, podem confundir bastante. O que "contribuiu" (singular) para o acidente? O termo "a falta"? Mas como fica a expressão "o excesso de trabalho"? Parece que o certo é "contribuíram", no plural. O que "contribuíram"? A falta de conservação dos trilhos, de sinalização e o excesso de trabalho dos funcionários. Portanto a falta ... e o excesso ... contribuíram."

"Não quero ser pedante, somente esclarecer como se pode concluir erradamente os fatos quando erradamente expostos ainda mais diante da preocupação com a linguagem clara e correta. Obrigado e um grande abraço"
Djalma


O iG deve usar a mensagem do leitor como um estímulo a adotar padrões rigorosos de qualidade na redação de textos absolutamente inteligíveis, e que haja controle disso antes da sua divulgação. O fato é que parece haver erros graves nesses controles. É essencial que o Manual de Redação agora publicado seja mais do que uma lista de intenções. O "livrinho" tem que ser usado. Só assim o iG estará à altura das expectativas – e do esforço- de leitores como Djalma Schwindt.

enviada por Mario Vitor Santos






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