"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

03/09/2007 15:57

Todos os lados, todos mesmo

O iG divulgou na quinta-feira que a Justiça norte-americana negou ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas, o direito de retornar ao comando da empresa de telefonia Brasil Telecom, proprietária deste portal. A decisão, em segunda instância e praticamente irreversível, vai contra recurso solicitado pelo Opportunity depois que a Justiça dos Estados Unidos considerou ilegal e “antiético” o contrato que dava ao grupo de Daniel Dantas o comando da administração da Brasil Telecom. A decisão também foi coberta por Samuel Possebon, da Teletime. Veja a reportagem aqui.

O texto do Último Segundo traz a assinatura "Da Redação", ou seja, algum jornalista do portal provavelmente recebeu a incumbência de redigi-lo. A reportagem, porém, não ouviu todos os lados envolvidos no assunto. Só foi abordada a decisão da Justiça americana, que dá ganho de causa à Brasil Telecom. O texto faz ainda uma remissão para a íntegra da decisão da Justiça dos EUA, ou seja, para a sentença em inglês. Não há menção a qualquer tentativa de contato da Redação do Último Segundo com Dantas, ou seja, com o “outro lado” dessa notícia. A Brasil Telecom também não foi ouvida.



Será que Dantas - e o grupo Opportunity - teriam algo a dizer sobre o assunto? Será que prefeririam se calar? A resposta está na Folha de S.Paulo, que também cobriu o tema (leia aqui) e ouviu o “outro lado”, o de Dantas, mas também não ouviu a Brasil Telecom. O texto não informa se tentou ouvir a empresa. A Justiça norte-americana baseia sua decisão no argumento de que os demais sócios da Brasil Telecom (fundos de pensão e o Citigroup) não sabiam de todos os itens do contrato que dava o comando ao Opportunity. Na Folha, lê-se que Dantas declara contestar essa afirmação. Segundo ele, o Superior Tribunal de Justiça do Brasil, ao contrário do tribunal dos Estados Unidos, considera válido o documento apresentado pelo grupo.

O iG como veículo pode até explicitar qual a sua visão a respeito de quem tem a razão nessa disputa. É um direito de qualquer veículo. O que se cobra aqui, porém, é que todos os lados sejam sempre ouvidos quando se faz uma reportagem. Mesmo, e talvez ainda mais, quando estão envolvidos os interesses dos proprietários do veículo. A transparência é testada justamente nessas horas.

enviada por Mario Vitor Santos






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