"Antes, pensava que nem valia a pena responder rumores absurdos. Hoje é preciso reagir contra todos os boatos"
Do estrategista republicano Todd Harris, no site BlueBus
17/10/2007 18:04
Atrapalhando o tráfego
Os leitores talvez já tenham percebido e também sentido o incômodo. Com freqüência, especialmente nas manhãs, o iG publica reportagens sobre o trânsito em que informa a existência de acidentes com vítimas em vias importantes. Só que essas reportagens invertem as prioridades: preocupam-se mais com o estado do trânsito do que com o estado das vítimas. Foi o caso da reportagem Zona Sul tem maior lentidão na capital paulista, publicada na manhã desta quarta-feira. A reportagem não informa o principal: quantas são e qual é o estado das pessoas vitimadas. Só dá prioridade ao trânsito, ao congestionamento. As vítimas não recebem atenção, nem nome têm. Muitas vezes não se informa nem se há algum morto, as características da batida e a marca e chapas dos carros. Nesse noticiário a vítima é tratada quase como se fosse uma coisa, objeto sem vida, importante apenas porque atrapalha o fluxo dos veículos. A impressão é que a menção às vítimas no texto só se justifica aos olhos do redator da reportagem na medida em que o socorro a elas causa transtornos ao trânsito.
Na base dessas distorções há também um problema jornalístico. As informações são transmitidas pelos organismos de vigilância do trânsito a jornalistas que fazem uma espécie de ronda por diversos órgãos. Num mundo ideal, caberia ao iG depender menos dessas fontes e de seus critérios de obtenção e divulgação de informações. Sendo talvez impossível evitar essa submissão às polícias e aos departamentos de trânsito, ao menos seria preciso tentar discipliná-los. O leitor do iG deveria, por exemplo, ser informado de que o órgão tal não dispunha ou não divulgou o nome, idade, o número e nem o estado das vítimas. É preciso evitar assinar embaixo dos critérios das autoridades do trânsito. A primeira preocupação do jornalismo deve estar no ser humano, ou seja, na vida. Quando a morte e a dor não chamam mais a atenção do que a normalidade do trânsito, algo vai muito mal no jornalismo e na vida.
enviada por Mario Vitor Santos
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