"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
02/10/2007 13:44
Mensalão mineiro, mensalão petista
Um leitor, que prefere não se identificar, provoca e dispara as seguintes perguntas:
Por que o iG não confere a mesma dimensão de cobertura ao mensalão do PSDB como conferiu ao mensalão do PT? Por que notícias favoráveis ao governo Lula não duram mais do que minutos na manchete da página inicial e as notícias neutras ou desfavoráveis ficam horas? Por que o ombudsman nunca trata desse assunto?
Quando recebeu a primeira provocação, o ombudsman, acredite, já tinha anunciado internamente em seu escritório a intenção de tratar desse assunto. A impressão é a seguinte: uma análise rigorosa do tratamento dado pelo iG aos dois temas envolvendo desvio de verbas públicas e sua canalização para supostos esquemas de compra de apoio organizados por tucanos e petistas é impossível. Digo análise rigorosa porque ela teria que ser baseada em alguns indicadores como espaço, tempo, exposição nas manchetes e tamanho dos textos dedicados a cada caso. A ferramenta de busca do iG, porém, não consegue detectar de maneira confiável o número de referências à palavra mensalão já feitas pelo portal. Não há, portanto, uma estatística geral para orientar. Mas é possível detectar quantas referências existem a expressões próximas, como mensalão petista e mensalão mineiro. Isso ainda não é rigoroso, mas dá uma idéia, uma impressão da situação. No total, há no iG, 99 referências aos petistas diretamente vinculados a palavras negativas como mensalão, esquema e valerioduto. Já o PSDB é beneficiado pela expressão mensalão mineiro ou esquema mineiro e tem um número mais reduzido de associações de seu nome a palavras negativas.
Isso parece indicar a importação de um favorecimento aos tucanos proveniente de outros veículos, de parceiros do iG.
Se retiram a igualdade do tratamento, as expressões mensalão mineiro, esquema mineiro e mensalinho mineiro ferem a sensibilidade de leitores, como afirma a manifestação do leitor Antonio Sérgio de Miranda.
Diz ele: Senhores, na condição de mineiro (nasci em Uberaba, Minas Gerais) exijo que tratem deste assunto como o Mensalão do PSDB, pois ofendem a população honesta de Minas Gerais.Antônio Sérgio de Miranda.
Vale lembrar que um número importante das referências explícitas aos tucanos associados a termos negativos como mensalão e esquema aparecem nos textos do Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, do Observatório da Imprensa, da revista Carta Capital e do site Congresso em Foco. Deduzido o esforço desses veículos, o balanço do iG parece ser mais tolerante com os tucanos.
Questionada a respeito, a Redação do iG manifestou-se por meio de Alessandra Blanco, diretora adjunta de Portal e Conteúdo. Escreve ela:
- Na visão do iG, tanto a denominação mensalão petista quanto mensalão tucano estão incorretas. Nos dois casos mais de um partido político está envolvido. Sendo assim, o Último Segundo optou por chamar o primeiro apenas como mensalão e o segundo por mensalão mineiro, já que é relacionado à disputa do governo de Minas e um dois principais envolvidos, o ministro Walfrido dos Mares Guia, é do PTB.
- o iG não tem preferência por qualquer partido político
- o Último Segundo chegou a publicar alguns textos de agências de notícias e parceiros que faziam referência ao mensalão petista, mas não usa essa nomenclatura em títulos, manchetes ou chapéus. Três textos de um repórter do iG em Brasília chegaram a fazer referência a um mensalão petista em julho do ano passado, durante os primeiros depoimentos do então deputado Roberto Jefferson.
O ombudsman agradece a manifestação do iG. Ela reafirma a intenção de apartidarismo no noticiário.
Lembra, porém, que, como o próprio ex-governador Eduardo Azeredo já declarou, o sistema de obtenção de recursos e pagamentos não declarados beneficiou candidatos de outros estados além de Minas, inclusive a candidatura presidencial do PSDB na ocasião. Isso, além da sensibilidade mineira, seria suficiente para justificar uma mudança da linguagem usada neste caso.
Mais do que olhar o passado, é importante zelar para que no futuro o equilíbrio retorne à cobertura e o iG adote uma atitude igualmente questionadora das duas supostas fraudes e de seus autores.
enviada por Mario Vitor Santos
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)