"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte
25/10/2007 20:13
O famoso sete mil toneladas
A cobertura que o iG vem fazendo da crise provocada pelas enchentes e o desabamento de terra no túnel Rebouças no Rio não difere muito daquela que se pode ver em outros portais de notícias. O Último Segundo traz imagens impressionantes do desabamento da lama, obtidas de sua parceria bem-sucedida com a BandNews. São informações de interesse e, até quando a memória me socorre, inéditas na história do Rebouças, uma construção tão importante para a circulação de automóveis (e apenas algumas linhas de ônibus) no Rio. Durante a tarde desta quinta-feira, a principal notícia do iG sobre o assunto trazia o seguinte título, informativo e urgente, se bem que um pouco afetado: Operários induzem desabamento de terras na encosta do Túnel Rebouças. Mais simples seria Operários induzem desabamento no Rebouças.
Reportagem do iG com trecho de difícil compreensão
O texto que acompanha a reportagem é informativo, embora tenha trecho ininteligível (Esse lado correspondente à pista sentido zona norte), como resultado de provável descuido na edição, o que ocorre mais do que deveria ser aceitável. O mais importante, porém, indica um problema estrutural do jornalismo. É quando o jornalista não informa suas fontes, ou seja, quando assume como sua uma informação que lhe foi dada por terceiros. Falo do descuido na informação relativa às fontes. As fontes das informações são parte essencial do jornalismo. As informações sempre nascem nelas ou dependem delas. A identidade e a autoridade das fontes têm sempre que ser explicitamente apresentadas, pois disso depende a credibilidade que o jornalista e, principalmente, o leitor, pode atribuir determinada informação, versão, avaliação ou opinião. Esse preâmbulo todo na verdade visa questionar a informação presente em todos os veículos, inclusive o iG, de que no Rebouças o desabamento de terras chegou a sete mil toneladas. Mais uma vez, a origem da informação parece ser uma fonte oficial: a Secretaria Municipal de Obras do Rio. Parece porque no texto a informação surge nas proximidades de uma referência à secretaria como fonte de outras informações, menos relevantes, por sinal. São então sete mil toneladas de terra. Seria interessante saber qual é o volume de terra correspondente a sete mil toneladas, pois a julgar pelas imagens, a estimativa, obviamente precária, mas afirmada com certeza por tantos veículos, parece exagerada. Em tempo: não foram todos os veículos que divulgaram o mesmo peso da terra derramada. Um, A Gazeta Mercantil, deu informação diferente: cinco toneladas. Só cinco.
Gazeta Mercantil, cuja reportagem difere na divulgação da quantidade de terra derramada
enviada por Mario Vitor Santos
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