"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

19/11/2007 18:52

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar

Título impressionante no alto da capa do iG hoje: “6 bilhões de pessoas vão morrer - Rolling Stone entrevista James Lovelock”.

O título remete para uma entrevista com o cientista (condição que o iG omite em sua capa), publicada na revista Rolling Stone.

Entre outros prognósticos, Lovelock, de 88 anos, afirma que vão restar apenas 500 milhões de pessoas vivas no final do século, em função do aquecimento global.

Ondas de chineses vão invadir a Sibéria, em busca de água, alimento e refresco. A entrevista à Rolling Stone descreve um cenário apocalíptico, desses que deveriam levar ao pânico.

A wikipedia informa que Lovelock é um cientista de muita experiência e muitos títulos. Formado em química pela Universidade de Manchester, pesquisou em Harvard e Yale. Só que há quase quatro anos, em janeiro de 2004, o cientista fez exatamente as mesmas declarações que hoje o iG publica com estardalhaço. Foram publicadas pelo jornal britânico The Independent. Dizia ele: por causa do aquecimento global, “bilhões de nós morrerão e os poucos casais férteis de pessoas que sobreviverão estarão no Ártico onde o clima continuará tolerável".

Ou seja, a notícia do iG é velha. Agora foi, como se diz, requentada.

Lovelock somava-se então àqueles que ao longo dos tempos anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar (exceto para 500 milhões de privilegiados que, diz ele, fugirão para os pólos).

Há dois meses, porém, no congresso da Associação Nuclear Mundial, Lovelock recuou parcialmente da idéia do fim do mundo. Afirmou que a mudança climática seria de alguma maneira interrompida e que a espécie humana poderá sobreviver na Terra. Mesmo assim lançou uma idéia ousada.

Sugeriu a instalação de tubos de centenas de metros para fazer circular as algas das águas mais frias do fundo para a superfície. A água bombeada ajudaria a fertilizar as algas da superfície, absorvendo dióxido de carbono do ar e estimulando a formação de nuvens refletoras de luz solar. Isso logo foi recebido com uma saraivada de críticas.

Lovelock é muito controverso, suas previsões sobre fim do mundo não são novas e os seus críticos não foram ouvidos na notícia divulgada pelo iG. O iG preferiu o sensacionalismo puro.

Sim, alguns podem dizer que a notícia não é do iG, é da revista “Rolling Stone”. Sim, mas o iG a destacou em sua capa, ou seja, acreditou nela. Esse é o problema: o iG acreditou, quando devia ter duvidado.

enviada por Mario Vitor Santos






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