"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

27/11/2007 19:38

De quem já viveu na própria carne

O texto abaixo tece comentários e faz recomendações sobre o caso das acusações a Luc Mark Depensaz. Em função de sua biografia, o autor foi forçado a tornar-se um especialista no tema.

“Prezado Mario Vitor,

Vi suas colunas sobre o linchamento do funcionário de banco suíço, reproduzido no Observatório da Imprensa. Por favor, perdoe o inglês, que você provavelmente lê com mais facilidade do que eu posso escrever em português.

A imprensa brasileira ama esconder-se atrás da polícia, e a Lei de Imprensa tem uma cláusula que sugere que a imprensa pode alegar que está apenas reportando a notícia se esta tem “uma fonte oficial que pode ser identificada” ou coisa assim. Fontes oficiais são declaradas confiáveis por lei.

A liberdade de imprensa, é claro, está baseada na verdade óbvia de que fontes oficiais não são, na verdade, confiáveis. Se fossem, não precisaríamos de uma imprensa livre.

Há, entretanto, uma solução rápida e simples para o problema de Depensaz. Seu advogado pode usar um instrumento legal chamado “Pedido de Esclarecimento”, requerendo que o jornal “O Estado” identifique sua fonte.

Com isso, “O Estado” pode identificá-lo, ou recusar-se a isso, e assumir toda a responsabilidade pela declaração que publicou. De qualquer maneira, Depensaz terá então alguém a quem responsabilizar.

Acho que “O Estado” vai revelar sua fonte. Como muitas empresas jornalísticas brasileiras, ele sente que a liberdade de imprensa vale qualquer preço, desde que algum outro pague por isso, neste caso Luc Mark Depensaz. Se, de repente, parecer que “O Estado” terá que pagar por seus erros em lugar da vítima, o preço da liberdade será bem mais detalhadamente examinado. Como se diz em português, no do outro é refresco.
Assinado: Richard Pedicini”

O norte-americano Richard Pedicini é formado em filosofia em Yale. Em 1994, foi falsamente acusado pela polícia e, logo em seguida, por meios de comunicação brasileiros, no caso Escola Base. Por isso, chegou a ser acusado, preso e indiciado, para, tempos depois, inocentado e libertado.

O que afirma Pedicini vale também para todos que reproduziram a suposta declaração da polícia atribuída ao suíço Depensaz. Inclusive o iG.

enviada por Mario Vitor Santos






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