"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

01/11/2007 19:57

Serviço + arte + reflexão = jornalismo na internet

Sempre é bom iniciar um feriado com uma nota otimista. A Redação do Último Segundo tradicionalmente faz um bom trabalho de serviço aos internautas, mostrando o que abre e fecha no feriado, tanto no Rio como em São Paulo. No Rio, por exemplo, esse trabalho do iG inclui informações importantes, como a escala de funcionamento de hospitais e prontos socorros, serviços de atendimento ao cidadão, feiras livres, controle urbano, defesa civil, vigilância sanitária e até cemitérios de cães e gatos.

Se há algo a melhorar, seria no trabalho de edição. Esse caráter de serviço é muito estimado pelos leitores, especialmente em situações de necessidade até de emergência. Melhorar a edição seria prever também notas separadas para cada serviço, mencionando-as sempre que possível com destaque nas capas do iG e do Último Segundo. E aqui está então um dos aspectos centrais dessa nota de hoje. Serviço jornalístico é sempre melhor quando é feito de maneira gráfica, visual, ou seja com quadros de leitura ágil, ao estilo “o que abre e fecha, quando e onde”.

Uma das grandes lacunas no trabalho jornalístico do iG é a quase total ausência de (info)gráficos e tabelas. Nesse terreno, o jornalismo do iG ainda está muito atrasado. O portal ainda vive na era do jornalismo escrito, impresso, preso ao texto. As exceções são infográficos elaborados para coberturas especiais (como a da crise aérea) e confirmam a regra. Falta uma estrutura regular de produção de gráficos, quadros e tabelas que lance o trabalho diário do iG na era visual, que afinal é a marca da internet. Sempre que possível a informação deve ser transmitida visualmente. Isso já é regra no jornalismo impresso e deveria ser ponto de partida no jornalismo de um grande portal. Falta uma grande editoria que trate de todos os aspectos relacionados à eficácia visual do jornalismo do iG.

O feriado é de finados, mas quem procurasse na véspera do feriado no iG informações sobre o significado histórico, religioso e espiritual da data não encontraria no iG. Nem mesmo no Astral, um canal associado ao tema dentro do portal atitude. O sentido da data está perdido na cultura atual, é verdade, mas ela existe. Seria uma boa ocasião para propor pautas interessantes e reflexivas que recuperassem as motivações iniciais. As condições do tempo e da estrada são relevantes, mas os velhos fenômenos que estão na base do dia de Finados continuam muito vivos, por mais que a época atual, inclusive a internet, procure negá-los. O jornalismo tem que se aproveitar desses momentos para ir contra a corrente e transformar-se numa atividade significativa, reflexiva, introduzindo discussões teológicas, filosóficas, históricas, científicas e espirituais. O jornalismo ganharia mais significado e os leitores agradeceriam.


Infográfico da Crise Aérea: exceção

enviada por Mario Vitor Santos






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