"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

11/12/2007 19:49

O editor secreto

A automação traz vantagens e riscos. Enviados por agências de notícias, os textos no mundo virtual trilham caminhos automáticos, entram em listas de notícias sem a intervenção humana, e vão ao público sem que o filtro do iG tome conhecimento deles. Nada deveria ir a público sem que um jornalista do iG examinasse seu conteúdo, decidisse e, eventualmente, aprimorasse. Normalmente, graças à padronização do site e à disciplina com que as máquinas funcionam, o leitor nem percebe que está sendo alimentado por uma espécie de robô. Às vezes, porém, isso fica claro. Sem comandos humanos, a máquina embaralha-se. Textos não formatados de acordo com as convenções noticiosas, ou seja, são capturados automaticamente, causando confusão na apresentação gráfica.

Esse tipo de erro ocorre toda semana, por exemplo, na editoria Mundo Virtual, do Último Segundo (a área de notícias do iG). Às quartas-feiras, a Agência Estado, fornecedora de notícias para o iG, divulga uma série de reportagens especiais. Por algum motivo desconhecido a este ombudsman, nessas reportagens o título aparece no iG repetido exata e imediatamente também no primeiro parágrafo. Em seguida, vem o nome do jornalista responsável, a cidade e a data em que o texto foi feito. Tudo assim, um em seguida do outro, sem separação, parágrafo ou recuo (confira na reprodução abaixo). O leitor recebe uma salada confusa, que certamente deixa impressão de descuido com questões de acabamento.



Agora, na época de Natal, há um agravante. A lista de compras. Reportagens dão dicas de produtos e onde adquiri-los. Como a maioria tem site, não é difícil que o segundo parágrafo comece com um "com.br", final do endereço divulgado no trecho acima. Talvez a máquina entenda que depois de ponto deva fazer uma quebra de parágrafo. Fica feio e dificulta a compreensão. Há evidentemente algo errado, mas que se repete a cada semana, transmitindo desleixo. Note-se que a exigência aqui é apenas de correção. Nem falo do que seria necessário fazer, como editar uma foto, um infográfico que facilitasse a leitura ou ativar os hiperlinks citados.






E o texto fica assim para sempre na lista de notícias do iG . Pelo jeito, ninguém do iG lê, nem mexe, a menos que a notícia venha a ser destacada numa página de abertura ou algo do gênero. Infelizmente, o problema não ocorre apenas com listas de compras. Hoje, até a nota de falecimento do governador de Roraima saiu como se diz no jargão jornalístico "empastelada" (confira mais abaixo).




enviada por Mario Vitor Santos






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