"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

14/01/2008 20:20

A febre é amarela. E o noticíário?

A cobertura jornalística da suposta epidemia de febre amarela que estaria em curso no país caracteriza bem a fraqueza técnica dos nossos veículos, inclusive, infelizmente, do iG. A mera divulgação dos casos, o destaque dado ao assunto, gera uma espécie de pânico injustificado, sem que se destaque também informações que levem o leitor a manter a calma e a segurança. O sensacionalismo é a marca de mais essa cobertura.

Postos de vacinação estão congestionados, faltam vacinas e pessoal especializado para atender à multidão. Gente que não precisa exige receber a vacina agora. Se as manchetes informassem não apenas as mortes (duas até agora), mas se dedicassem a mostrar como o risco se limita a apenas alguns grupos específicos da população, o pânico não existiria. Em grau menor, repete-se a situação de caos, quando a população correu em bando para casa após ataques do crime organizado.

Agora seria hora de colocar as estatísticas nas manchetes. Comparar o número de mortes deste ano com o mesmo período de outros anos, priorizar um levantamento equilibrado de informações. Colocar o assunto em perspectiva, reforçar a qualidade das informações e permitir que a razão funcione. Quem quiser se destacar, deve investir na boa técnica jornalística, não no escândalo. Ademais, já é possível notar que a "crise" da febre amarela já está sendo exagerada com interesses políticos, como alerta Paulo Henrique Amorim no "Conversa Afiada, que ainda esta vez exerce um destemido, muitas vezes solitário e valioso "outro lado" do jornalismo nacional.

enviada por Mario Vitor Santos






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