"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

23/01/2008 20:34

A internet rejeita pagar trabalho das agências

O jornal inglês The Guardian publicou na terça-feira uma entrevista com Mark Solomons, presidente do conselho da Associação Britânica de Agências de Notícias. No artigo “More press agencies 'will go to the wall'”, o correspondente Stephen Brook registra a insatisfação das agências em relação aos jornais, que em suas edições on-line usam o conteúdo comprado das agências (para edições em papel), mas sem pagar nada a mais.

Isso, segundo Solomons, está levando um número crescente de agências a fechar as portas. A última foi a Newsflash, de Edimburgo, que existiu durante quinze anos.

“Alguns jornais estão pagando o mesmo que pagavam há 15 anos, alguns até menos, quando pagam”, disse Solomons ao citar o caso do The Sun, tablóide sensacionalista que comanda o império do megaempresário australiano Rupert Murdoch. O Sun, apesar de ser o jornal inglês de maior circulação diária, com 2,99 milhões de exemplares, está com dívidas acumuladas com agências há mais de seis meses, segundo Solomons.

A recusa em pagar pelo conteúdo usado na rede, diz a reportagem, “foi o que causou a greve dos roteiristas nos Estados Unidos (...) mas ao contrário dos roteiristas de Hollywood, nós não podemos fazer greve para conseguir uma taxa pelo conteúdo on-line”, afirma o presidente da associação de agências. Para ler o texto original (em inglês) clique aqui.

Enquanto isso, o Fórum Econômico de Davos discute inovação. Jeff Harvis em seu blog BuzzMachine cita o palestrante Larry Keeeley, de Dublin, que afirma que se todos os leitores norte-americanos deixassem de acompanhar as notícias em jornais de papel e passassem a lê-las apenas na versão eletrônica, os Estados Unidos atingiriam imediatamente as metas de redução de emissão de gases estabelecidas pelo protocolo de Kioto.

Os hábitos no futuro próximo parecem impor o domínio absoluto do conteúdo virtual, eletrônico, multimídia e móvel. A audiência está migrando para essas formas que vão ficar mais baratas e, lentamente, as verbas devem ir também nessa direção.

Resta saber como conciliar a mudança (alguns falam de mutação) de padrão de “leitura” com a resistência dos consumidores a pagar pelo que recebem e a morosidade dos anunciantes em fazer migrar seus investimentos para a rede com maior intensidade e rapidez.

A utilização do conteúdo é intensa na rede, mas a disposição de pagar por ele é mínima. Muitos fornecedores, na expectativa de ocupar uma posição boa no futuro mercado, não resistem e vão ficando no caminho.

enviada por Mario Vitor Santos






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