"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

16/01/2008 00:59

O jornalismo da moda

O iG anuncia em sua capa uma grande cobertura da São Paulo Fashion Week Inverno 2008, que começa nesta quarta-feira.

Parceiro oficial do evento, o iG promete transmitir todos os (quarenta!) desfiles ao vivo, com imagem e som. Afirma que vai oferecer dezenove sites destinados à cobertura de todo tipo de assunto ao longo da maratona de moda.

Haverá sites para modelos, para celebridades, para opiniões (de leigos profissionais e especialistas), informações ao vivo e reflexões sobre as melhores e as piores apresentações nas passarelas.

É uma avalanche de moda, em todos os sentidos. Independente do exagero, o tema é relevante e gera cada vez mais atenção.

Faz sentido que um grande portal invista pesado nessa cobertura. A dúvida, então, é a qualidade, então. O iG fez parcerias para veicular as opiniões de alguns dos jornalistas e veículos de moda mais conceituados do Brasil.

Isso em si não é garantia de nada pois as dificuldades são grandes. Quando o jornalismo se encontra com a moda, alguns de seus problemas se agravam.

São relações promíscuas entre fontes e jornalistas, baseadas muitas vezes em apadrinhamento e troca de favores. A qualidade técnica de apuração e checagem das notícias é baixa. Faltam vigilância em relação a cópias e são raros os casos de investigação independente e exercício do distanciamento crítico. O jornalismo de moda parece ser atividade de um outro mundo, em que as regras básicas da atividade deixam de funcionar. Mas há exceções.

O ombudsman vai acompanhar o trabalho do iG nesta São Paulo Fashion Week para ver se, do ponto da qualidade do jornaismo oferecido aos leitores, valeu a pena tanto investimento.


Imagem dos bastidores da semana de moda do Rio. Crédito: Blog de Moda

enviada por Mario Vitor Santos






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