"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

20/02/2008 19:45

A Festa do Campus e a mídia festiva

O Campus Party foi um sucesso não só em termos de público, como também de segurança - não apenas segurança dos freqüentadores, que puderam deixar seus computadores no Pavilhão da Bienal, ou circular com eles pelo parque, sem nenhum problema, como ainda de rede (a rede sofreu quatro ataques fortes de crackers durante um evento, mas resistiu fortemente a todos. Inclusive um deles foi feito por um freqüentador do evento, cujo computador foi bloqueado pela organização). Por outro lado, houve alguns problemas de organização apontados pela mídia, entre os quais as filas. Os maiores problemas, contudo, aconteceram antes do evento, e esses a mídia, inclusive este iG (confira no pé deste post), não comentou: as promessas aos campuseiros iam sendo progressivamente descumpridas.

Assim, no início, todo mundo que se inscrevesse e quisesse acampar poderia fazê-lo. Depois, como não caberia todo mundo no pavilhão da Bienal, anunciou-se que os campuseiros de São Paulo não poderiam acampar. Era para ser uma barraca por pessoa, mas, como eles queriam colocar lá dentro 3.000 pessoas, e só havia espaço para 900 barracas, anunciou-se posteriormente que, quem quisesse acampar, teria que dividir a barraca. Por fim, as barracas seriam dadas de brinde aos campuseiros. Porém, como a Telefônica, patrocinadora do evento, não quis fazer 3.000 barracas (afinal, no evento, só caberiam 900), anunciou-se que as barracas seriam doadas para caridade. Diante da gritaria generalizada, concedeu-se que os campuseiros que tivessem pago a inscrição poderiam levar barraca para casa (houve muitas promoções, e, dos 3.000 campuseiros, só 400 tiveram que pagar a taxa de R$ 100).

Ainda duas considerações:

1) Alguns campuseiros se queixaram do tratamento preconceituoso da mídia, que caracterizou o evento apenas como uma enorme lan house, em que as pessoas se reuniam para jogar, quando havia oficinas, palestras e workshops muito mais sérias acontecendo.

2) O evento foi promovido por uma empresa privada, a Futura Networks, com patrocínio de outra, a Telefônica, e declarados fins lucrativos. Para muita gente, ficou estranha a maciça participação da Rádio e TV Cultura no evento, montando estúdio dentro da Campus Party, dedicando horas extensas e generosas de sua programação ao evento, e deslocando boa parte de sua equipe para lá. Qual o interesse público da Campus Party?

Sobre os problemas acima, alguns deles gerados por um espírito de adesão imediata e falta de espírito crítico dos sites a tudo que se refira a internet, este ombudsman foi procurar a Telefônica, a Futura Network (responsável pelo evento) e a Cultura. Seguem as respostas:

Resposta da Cultura
"A Fundação Padre Anchieta não teve gastos com a Campus Party. A presença marcante da Rádio e TV Cultura no evento decorreu de uma decisão das emissoras: investir no público jovem. Durante sete dias, a instituição teve a chance de conhecer os jovens presentes na Campus Party, fazer pesquisas, colher depoimentos dos participantes e oferecer a interatividade através do RadarCultura, o ambiente digital colaborativo na internet que define a programação parcial da Rádio Cultura AM, criado pela Fundação Padre Anchieta. Além disso, a Rádio e TV Cultura puderam levar informações relevantes ao público e mostrar aos telespectadores as novidades digitais, que cada vez mais fazem parte do dia-a-dia das pessoas, especialmente dos jovens. Este ano, a Fundação Padre Anchieta tem como objetivo entrar no universo da interatividade e, pela dimensão do evento, não haveria lugar mais propício para estarmos presentes, aprendendo e trazendo aos jovens conhecimentos que talvez não estivessem disponíveis em outras emissoras."

Telefônica e Futura
A Telefônica deixou as respostas por conta de Roberto Andrade, da Futura Network, que passou as seguintes informações:

“Em nenhum momento a Campus Party comunicou aos campuseiros que as barracas seriam levadas para casa após o evento. Em nosso regulamento de inscrição estava escrito claramente que nós "cederíamos as barracas" aos campuseiros que quisessem ficar acampados na Bienal. Talvez a palavra "ceder" tenha gerado confusão. Reconhecemos nosso erro neste sentido. De fato, nós tivemos um número maior do que o esperado de campuseiros que queriam acampar na Bienal, por isto a decisão de sugerir aos moradores da cidade de São paulo que dormissem em suas casas e não optassem por dormir na Bienal. Realmente, em um primeiro momento, decidimos doar todas as barracas para a Defesa Civil e não permitir que ninguém as levasse para casa, para evitar confusões, mas como houve muita reclamação dos pagantes, resolvemos então acatar as solicitações e permitir que estes levassem as barracas para casa. Não procede sua informação que somente 400 campuseiros pagaram a taxa de R$ 100. Gostaríamos de saber de onde foi retirada esta informação para que possamos retificá-la.”

Sobre a cobertura da mídia:
"Em nosso entender a mídia fez uma excelente cobertura do evento, valorizando a qualidade das atividades desenvolvidas em todas as áreas de conteúdos e criticando os eventuais erros que identificou."

"A Campus Party é o maior encontro mundial da Internet. Da mesma forma caracteriza-se como o maior evento mundial integrando tecnologia, conteúdos digitais e entretenimento. Dentro da Campus Party foram realizadas para os inscritos mais de 300 atividades como workshops, palestras, seminários e cursos, em 10 áreas do conhecimento. Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, 800 professores da Rede Pública de ensino foram qualificados em um projeto chamado Escola Conectada, que visa levar os conhecimentos trocados no evento para os alunos da rede publica de escolas do município, protagonizando na pratica as ações de inclusão digital. Em parceria com a Governo do Estado de São Paulo foram desenvolvidos 5 projetos integrados ao Programa Acessa São Paulo, criado para garantir o acesso da população de baixa renda ao mundo digital. E ainda 10 oficinas especiais direcionadas ao treinamento e qualificação de alunos dentro do programa publico de inclusão digital. Em parceria com o Governo Federal a Campus Party promoveu o Seminário Nacional de Inclusão Digital, reunindo 150 lideranças de todo o Brasil responsáveis pela execução dos programas públicos de inclusão digital organizados pelo Governo Federal. Pela primeira vez as três áreas publicas brasileiras (município, Estado e Governo Federal) se integraram em busca da plena ativação de projetos voltados à inclusão digital. Em nosso entender as ações acima citadas e muitas outras ocorridas durante a Campus Party são um verdadeiro marco no quesito "interesse público". A TV Cultura estava onde deveria estar. Estranho seria não contarmos com a presença da Fundação Padre Anchieta e do Poder Público em um encontro desta natureza."


Imagem de uma das reportagens do iG

enviada por Mario Vitor Santos






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