"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

11/03/2008 23:26

A primeira largada

O iG anunciou hoje a estréia de seu site dedicado aos Jogos Olímpicos de Pequim. O anúncio chegou a merecer a manchete do portal. De agora em diante, o interesse pela competição será cada vez maior, e o iG acerta ao procurar acompanhar o evento da melhor maneira possível. As Olimpíadas são também uma ocasião para aumentar o faturamento publicitário, com a venda de pacotes de patrocínio da cobertura e a possibilidade de captação de anúncios de ocasião.

Um certo tom de publicidade está presente em alguns títulos das reportagens do site e em chamadas nas capas do iG (“iG dá largada para cobertura especial da Olimpíada a China”), do Último Segundo (“Novo site do iG está no ar e tem tudo sobre os Jogos”) e no Especial das Olimpíadas (”iG dá largada para cobertura olímpica na China”).

O adjetivo que comanda esse lançamento é o “completo” em diversas versões: portal completo, cobertura completa, “tudo”. A principal reportagem da edição de abertura do trabalho do iG, a única que investe numa cobertura exclusiva do portal, anuncia um testemunho em primeira pessoa de uma jornalista brasileira do iG que foi “enviada especial” à capital chinesa e escreve, com exclusividade para o portal, prestando um serviço aos leitores: “Enviada especial: Repórter do iG Esportes mostra os contrastes de Pequim e as aventuras que aguardam os turistas”.

Na verdade, a reportagem, como o próprio iG anuncia, é antiga, já estando publicada no próprio iG desde o meio do ano passado. Além disso, o texto não mostra “os contrastes de Pequim” e muito menos adverte para “aventuras que aguardam os turistas”. Faz comentários em geral simpáticos, mas ligeiros, sobre trânsito, policiamento, obras, poluição, design da logomarca dos jogos e o hábito de cuspir nas ruas.

Será que depois de tempo a enviada especial não poderia ser convidada a produzir um outro texto para o iG, com novas observações que não tenha usado anteriormente, ou com reflexões que tenha feito a partir do retorno de viagem a local tão distante, de modo a dar um maior frescor à cobertura exclusiva?

A julgar pelo que informou nesse primeiro dia, não ficam claros os objetivos do iG nestas Olimpíadas. Sabe-se que o portal enviará “cinco jornalistas” à China e que vai ter contar também com o trabalho de colunistas. É evidente que a ambição é grande, mas os detalhes e a eficiência da cobertura só ficarão claros mesmo durante os Jogos. Por enquanto, seguem algumas observações sobre o que foi visto no dia de hoje.

- A lista de notícias está bem apresentada, fácil de ler

- o link sobre a equipe brasileira é bom, apesar de ainda não ter dados suficientes

- as notícias são recentes

- mas o destaque de galerias (19 e 16 de fevereiro) e vídeos (26 e 20 de fevereiro) traz material antigo

- o hot site está bem estruturado, com divisões por modalidade, mas podia ser mais atrativo e harmônico graficamente

- a linha do tempo, com as edições anteriores dos Jogos, é uma idéia bem realizada, com exceção de um detalhe: pode haver problemas no controle da velocidade, que às vezes fica muito rápida. Ao clicar em cada edição, surge um pouco da história daqueles Jogos

- a legenda do destaque (que tem um fundo branco) colocada sobre uma foto clara dificulta a leitura

- as seções home, notícias, fotos, modalidades, time brasileiro, olimpíadas anteriores e quadro de medalhas estão bem colocadas ao lado esquerdo, o que facilita a navegação

Por último, hoje, fica um desafio a esclarecer: será que o iG vai se diferenciar nesta cobertura, fugindo da mesmice e dos clichês, oferecendo um noticiário realmente criterioso, próprio e forte do ponto de vista jornalístico, com pleno uso das ferramentas tecnológicas existentes?



enviada por Mario Vitor Santos






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