"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais

13/03/2008 21:08

Para pensar

Veja algumas das afirmações do seminário de 70 anos da BBC no Brasil, realizado ontem e hoje em São Paulo.

Quatro mesas discutiram as relações de vizinhança e estranhamento entre Brasil e América do Sul; objetividade e subjetividade no jornalismo do século 21; a liberdade de expressão e os limites do jornalismo hoje e no futuro, e as questões ligadas ao novo jornalismo, com forte presença da convergência de meios e da interatividade.

JORNALISMO NO SÉCULO 21: OBJETIVIDADE x SUBJETIVIDADE

Bob Fernandes, diretor do Terra Magazine
“A convergência de mídias virá muito rapidamente”
“Há uma enorme dúvida sobre o papel das escolas de jornalismo”
“O Brasil está vivendo uma ruptura extraordinária. Resta saber quem vai organizar essa imensa massa de informação existente”
“Não existe a isenção. O que pode existir é a pluralidade ‘
“Não sei como vamos fazer para termos informações checadas e que incluam a participação do cidadão”
“A cobertura da crise Colômbia-Equador-Farc foi um festival de palpites absolutamente subjetivos, entre o que a gente discute e a verdade do que publicamos”

Gary Duffy, correspondente da BBC no Brasil
“Como fica a imparcialidade quando um jornalista trabalha sob pressão para três ou quatro meios, como rádio, TV e site de notícias”?
“A violência, quando está próxima a você, tem grande impacto no jeito como você encara as notícias”
“Sendo irlandês, acompanhei a violência desde criança em Belfast e vi como isso altera a maneira como a população vê as notícias”
“A forma como os jornalistas tratam as notícias traz conseqüências reais para pessoas reais”
“Exercitar a contenção, não divulgar notícias sensacionalistas, é muito importante”
“Temos responsabilidade de buscar a imparcialidade e falar a verdade. Se somos imparciais, o público julgará”
"Hoje em dia, na BBC, os jornalistas trabalham sob enorme pressão durante a cobertura de assuntos importantes para rádio, televisão e internet simultaneamente, mas temos de nos esforçar para dizer a verdade, sermos justos e precisos"

Mariza Tavarez Figueira, diretora-executiva da CBN
"Nós (jornalistas) não podemos perder o olhar estrangeiro. Se tivermos um olhar de quem está cansado, a gente deixa de perceber e de se indignar."

Caio Túlio Costa, diretor-presidente do iG
"Mesmo sob o risco de errar, eu sou a favor de dar o furo. A atualização e as mudanças nas notícias fazem parte do jornalismo"

Tereza Rangel, ombudsman do UOL
"Hoje, você tem medições muito específicas de audiência e pode acabar caindo na armadilha do sensacionalismo na tentativa de agradar o público"

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: LIMITES DO JORNALISMO NO SÉCULO 21

Mario Magalhães, ombudsman da Folha
“Nas cidades menores, em que as relações de poder são mais primitivas, o cerceamento à imprensa ainda acontece”
“No caso de alguns veículos menores, ações (na Justiça) deste tipo paralisam completamente a redação, e eles nunca mais vão querer publicar notícias que possam gerar a mesma reação”

Laurindo Leal Filho, professor da USP
“A televisão pública nasce provocando debate e convidando a sociedade a torná-la efetivamente pública”
“A expectativa é de que esta TV dê oportunidade para que olhares brasileiros nunca socializados ganhem visibilidade”

O NOVO JORNALISMO: CONVERGÊNCIA E INTERATIVIDADE

Márcia Menezes, diretora de jornalismo do G1
"Temos que dar atenção e valor àquilo que é enviado por usuários, mas isso também exige um enorme cuidado, já que você leva esse conteúdo para muito mais gente com seu nome e seu aval"
"Às vezes, numa cobertura simples como o anúncio da taxa de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária), há um repórter da CBN, um da GloboNews, um da Rede Globo, um do jornal O Globo, um do Extra... Ainda precisamos integrar melhor as nossas operações"

Antonio Prada, diretor de Mídia do Terra na América Latina
"O usuário não só interage em tempo real, como cria conteúdo. Ele é também um formador de opinião. Em tempo real"
“A Internet consome apenas 2,7 % do bolo publicitário brasileiro. Nos EUA, são mais de 6%, no Reino Unido, quase 10%”

Pete Clifton, diretor do BBC News Interactive
"Os nossos sites vão dar mais chances para o internauta moldar sua experiência e personalizar a maneira como recebe o conteúdo.”
“Também vamos permitir que o usuário fale sobre o que conhece. Um exemplo disso é que vamos convidar os eleitores a escrever os perfis e os assuntos em questão nas suas regiões na época das eleições”
"Procuramos cada vez mais profissionais que tenham bom texto, mas que também tenham alguma experiência em rádio ou talvez um interesse em televisão”
“Vamos trabalhar agora numa redação integrada, em que cada jornalista pode produzir para várias mídias simultaneamente"
“A maneira como o conteúdo é apresentado depende de um mix das opções do público e dos jornalistas”
“O que o leitor nos diz ajuda muito na melhoria da qualidade do vídeo e do áudio que oferecemos na internet”
“Apesar das incertezas, não há lugar melhor para trabalhar do que nesse novo tipo de jornalismo convergente e interativo. Mas o que vai decidir, no fundo é qualidade do conteúdo”

Andrea Fornes, diretora-executiva do MSN Brasil
“Decidimos que a melhor estratégia para o MSN Brasil é associar o conteúdo do site aos nossos softwares, oferecendo uma experiência diferente ao usuário"
“A nossa home page é desde agosto a mais acessada do Brasil. Tem 35% de alcance”
“O portal era visto como um portal gringo”
“As mudanças trazidas pela internet revigoraram muito o meu interesse e o de muitos profissionais pelo jornalismo”

enviada por Mario Vitor Santos






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)