"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte
07/04/2008 19:58
Comentário sim, lama não
Prezados senhores,
Como assíduo freqüentador do "Último Segundo" do iG, não posso deixar de observar e deplorar a falta de verificação do conteúdo dos comentários emitidos por internautas, relacionados às notícias que figuram no site.
É freqüente lerem-se palavrões, ofensas, ataques pessoais, racismo (principalmente contra judeus), etc., contrariando diretrizes do próprio iG quanto a esse tipo de expressão.
Os internautas se aproveitam do fato de poderem "se ocultar" através de pseudônimos para, ao emitirem esses comentários, poderem "se safar" de eventuais processos contra racismo, etc.
Creio que seria de bom alvitre que o iG não permita esse tipo de expressão, sujeita a penalidades legais, para não se tornar cúmplice dela e, portanto, solidário com as eventuais medidas judiciais que ela provocar.
No aguardo de suas providências,
Atenciosamente,"
Jorge Diaconescu
Há mais de uma semana essa mensagem foi enviada ao ombudsman, que remeteu-a à direção do iG, sem que esta tenha elaborado uma resposta até agora. A situação é a seguinte: o iG abre suas páginas a todo tipo de comentário, mas se isenta de responsabilidade pelo que publica. O leitor afirma que aquilo que é enviado pela pessoa que faz o comentário vai para o ar. Não há verificação prévia do conteúdo da mensagem. Se alguém procura o iG para denunciar crime ou ofensa, aí sim o portal toma a iniciativa de investigar e, se for o caso, retirar o texto do ar.
As áreas de comentários de sites lembram as pixações de banheiros públicos, como escreve Eric Alterman, repórter da revista New Yorker. Comentários trazem ofensas, mensagens racistas contra judeus e negros, preconceitos de sexo, xingamentos, incitação ao crime e outras transgressões, além de conteúdos de origem desconhecida ou duvidosa.
É incrível que isso aconteça, pois a internet é justamente um instrumento valioso por aproximar produtores e consumidores de notícias. Emissor e receptor podem trocar de posição. Para que isso aconteça, porém, é preciso que os sites assumam as responsabilidades sobre o que divulgam. É uma questão de checagem, de qualidade e de autoria
Para funcionar, alguém tem que zelar pelo padrão. Em lugar de atrair, a situação atual afasta o público. O baixo nível das opiniões, a linguagem incompreensível e muitas vezes chula desanimam, quando não assustam, os visitantes. Poucos querem freqüentar a sarjeta, nem locais vazios.
Além do problema ético, a falta de controle pode ter um preço alto. Sites como o Imprensa Marrom chegaram a ser retirados do ar por um período sem aviso prévio e condenados a pagar multas por causa de comentários não mediados e não autorizados.
A imagem dos veículos, inclusive deste iG, é portanto, afetada, perde prestígio e credibilidade. É obrigação zelar com mais cuidado pela imagem do veículo, respeitando os esforços realizados por centenas de profissionais ao longo dos anos.
Recentemente, o site webmanario chamou a atenção recentemente para a falta de uma compreensão mais séria do papel dos comentários. Sites usam a ferramenta de maneira apenas propagandística, para dar um gostinho de democracia e participação. Não há diálogo real, uma conversa que evolua em alguma direção. O comentário vai para uma espécie de vala. A opinião dos leitores é apenas depositada e ignorada. Leitores percebem e abandonam essas áreas. Levam clicar em outro jardim.
A área de comentários é preciosa demais para ser tratada assim. Precisa ser mantida e cuidada. Receber investimentos em pessoal, equipamentos e outros recursos. Pode ser inteligente e criativa. É preciso ter uma política de dinamização, com o uso de mediadores hábeis, capazes de, quem sabe, regenerar sua credibilidade. Não é o caso de fechar os comentários, nem de deixá-los ao deus-dará como hoje. A missão é difícil, mas factível, evitando as armadilhas de ambos os lados. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre participação sem controle e qualidade, e o uso excessivamente vigiado, que desencoraja a interação.
Veja abaixo somente alguns desses casos:
"Só faltava essa, bicha ganhou estatuto! Vai xingar bicha de bicha e terás um processo nas costas. Ha...... saudades do meu tempo!!!!"
"Lugar de judeu é em Israel. O mundo esta farto das atrocidades cometidos pelos judeus remanescentes do holocausto."
"(...) é corinthiano, se fosse são paulino, estaria numa boate gay..."
"Pilantra. Tomou no (...)!! Agora a casa caiu."
"Eles pedem igualdade mas não merecem. Eles querem tratamento especial, como se nós, caucasianos, devêssemos alguma coisa a eles. Nós não devemos nada. Eles é que nos devem, pois se não fosse por nós, eles ainda estariam nas selvas da Guiné e Daomé."
"(...), caucasiano filho (...). Quem levou esse país a desgraça não foram os negros, mas quem administra essa (...) de país. São esseS filhos da #!@$%@# ladrões da sua raça."
"Não culpo o Lula e sim a Princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga."
"O acesso que as classes C,D, e E tivéram à internet, proporcionou um verdadeiro festival de analfabetos e semi-analfabetos que ainda de quatro tentam se aventurar a comentar alguns artigos na Internet (...) É muito fácil projetar o seu biotipo, deve ter a cabeça no formato de..."
"Atualmente eu pago minhas contas em dia, visto que a (...) da sua mãe me paga para..."
"Motoboy bom é motoboy com a cabeça..."
"Pare com esse blá-blá-blá ridículo e vai tomar nesse seu..."
enviada por Mario Vitor Santos
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