"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte
24/04/2008 18:18
Jornalismo just-in-time
Sob o ponto de vista dos negócios, faz todo sentido terceirizar o fornecimento de notícias. Se você não tem algo, crie um link e envie o leitor para onde a notícia está. Ou, melhor, faça um acordo com seus fornecedores produtores da informação, importe a notícia para o seu site, dê créditos aos autores. Ponha o conteúdo deles sob a sua logomarca, e assim mantenha o cliente mais tempo visitando o seu portal. Tente vender publicidade e viabilize o seu negócio.
Não há por que nutrir muito romantismo em relação aos princípios do jornalismo. Desde que surgiram, os jornais se valem de conteúdo fornecidos por terceiros e parceiros. Inicialmente, correspondentes internacionais inicialmente eram viajantes que faziam relatos de viagens em troca de pouco mais do que nada. Desde antes da imprensa, os veículos incentivavam e até abusavam no uso das cartas e opiniões dos leitores. Logo surgiram as agências de notícias, cujo serviço ajudou a viabilizar reportagens com um certo padrão e a custo cada vez mais baixo. Governos nacionais logo perceberam a ferramenta ideológica, criaram ou compraram agências internacionais e passaram a fornecer notícias de graça ou a preço de banana. Ainda hoje, grande parte da informação que circula no mundo tem origem nos governos, que exercem seu poder meio da informação.
As agências, governamentais ou privadas, profissionalizaram-se criando um padrão mínimo de qualidade. A informação é avaliada de acordo com alguns parâmetros de relevância, objetividade, imparcialidade e equilíbrio, coisa que nem sempre é respeitada.
Desenvolveram-se especialidades. Hoje a informação é cada vez mais específica, demanda foco e um grande conhecimento específico do jornalista, especialmente em setores bem característicos, como negócios, saúde ou ciência, por exemplo. Para não falar de relações internacionais.
Em muitos desses setores as agências de notícias cobrem mais, melhor e com mais rapidez. É impossível que qualquer a grande maioria dos veículos consiga dar conta da imensidão dos temas, cuja configuração de interesse muda permanentemente. Por isso a questão dos sites jornalísticos ou não é saber qual o seu foco de negócios. Definidas quais são as suas prioridades, o negócio é permanecer nelas.
Isso massacra o jornalismo? Depende. Também no campo jornalístico é preciso descobrir um nicho, ou uma particularidade, uma personalidade e investir nela como seu diferencial. Há grandes sucessos jornalísticos lastreados em um grande trabalho de edição, unido a bons analistas-colunistas, montados sobre agregadores de notícias que usam material de terceiros. Repito: isso exige um grande esforço de edição. Disposição para provocar polêmicas, mexer em temas difíceis, grande interação com o público, que é estimulado a reagir o tempo todo. No Brasil, os grandes portais não estão chegando ainda nem perto desse modelo, que não vale apenas para o chamado jornalismo.
enviada por Mario Vitor Santos
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