"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
12/04/2008 01:54
Publicidade e notícia: separar, rotular, conectar
Para encerrar, a pesquisa da APME e do Reynolds Journalism Institute (veja as notas anteriores) mediu a reação de editores e leitores quando se põe em questão um tabu: a separação, cada vez menos disfarçada, entre textos jornalísticos e a publicidade.
As audiências online gostam da separação clara entre notícias e anúncios. Mas também apreciam as conexões úteis das notícias para os anúncios.
Os números são estes: 94% dos editores disseram que é benéfico manter claramente separados os anúncios das notícias, contra 88% dos leitores.
Os leitores estão divididos (em torno de 45%) quanto à validade de estabelecer links entre notícias e anúncios relacionados.
Quais são as conseqüências para os editores?
Os leitores da internet entendem e apreciam o divisão teórica publicidade-informação, mas aceitam links pertinentes. Assim, os escrúpulos dos jornalistas podem ser irritantes para os leitores.
O que editores devem fazer: conhecer os planos e metas de sua empresa, influir em sua elaboração, descobrir formas de incrementar os links sem ameaçar a integridade do trabalho jornalístico.
Descoberta número 5: tanto leitores como jornalistas não dominam inteiramente o conteúdos dos sites. Estes apresentam áreas e instrumentos que raramente são visitados e usados.
É angustiante a sensação tão freqüente de que o internauta navega às cegas num mar sem limites e sem bússolas.
Uma das vantagens da velha mídia é justamente a impressão de limites que ela traz consigo. Nesse sentido, o jornal parece ter uma escala mais humana.
Muitos leitores não se sentem informados das ferramentas à sua disposição num site. E desconhecem as regras de funcionamento. Elas não são publicadas com clareza suficiente.
A proporção de leitores que conhecem e dos que desconhecem os termos de serviço é semelhante, em torno dos 35%.
Os leitores (50%) não sabem que podem denunciar posts inaceitáveis. O surpreendente é que 35% dos editores também desconhecem essa possibilidade.
Muitos leitores (40%) não sabem que posts ofensivos podem ser e são removidos (são?).
Quais são as implicações: os jornalistas têm comunicado mal aos leitores o que fazem. E também informam mal suas equipes sobre as regras de funcionamento do site em que elas trabalham.
Editores devem conhecer as regras de sua empresa e comunicá-las claramente às equipes.
Além disso, a navegação deve ser clara e consistente para permitir diálogo e interação com os leitores sobre o funcionamento dos sites.
O feedback dos leitores deve gerar ações, que por sua vez devem ser explicadas aos leitores.
Em resumo: os leitores querem mais transparência, flexibilidade, respeito ao anonimato, mais conexões com outros conteúdos pertinentes. Também precisam ser mais bem informados sobre o que é ou não aceitável publicar.
O seminário do Poynter Institute sobre Credibilidade mostra que editores têm muito a fazer se quiserem continuar a gozar da grande confiança que o jornalismo conseguiu carrear da era impressa para o mundo da internet.
enviada por Mario Vitor Santos
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