"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte
21/05/2008 13:09
Avião: o iG acusa; Infraero responde
Na correção que publicou ontem, assumindo o erro da manchete que informava a queda de um avião na zona sul de São Paulo, o iG atribuía à Infraero a culpa pelo engano. Dentre os veículos, foi o único a apontar essa fonte para a falsa notícia. Dizia o iG na errata: A informação havia sido passada pela assessoria de imprensa da Infraero, que negou o fato minutos depois.
A Infraero, porém, nega ter transmitido ou sequer confirmado a informação da queda do avião. A assessora de imprensa da empresa, Léa Cavallero, afirma: Ficamos surpresos com a falta de preparo na apuração. Em nenhum momento a Infraero deu qualquer declaração ou emitiu qualquer nota confirmando a queda do avião. Muito pelo contrário. Quando os primeiros jornalistas ligaram perguntando, dissemos que não tínhamos informação. Em seguida, ligamos para São Paulo que negou o acidente. Acho que esse é um ótimo case de falta de apuração, de despreparo das pessoas que checaram a notícia. Foi um caso da imprensa apurando a imprensa.
Em sua errata, o portal concorrente Uol comunica que, ao fazer uma checagem da mesma informação, a Infraero desmentira a informação. Não há menção ao fato de que a Infraero tenha confirmado ao Uol. Será que a Infraero confirmou então apenas para o iG e desmentiu para o Uol? O iG, em sua correção (leia aqui), não menciona, como origem da informação, a TV Globonews, que chegou a levar a CNN a dar o mesmo furo.
A Redação do iG, porém, reafirma ter sido levada ao erro pela assessoria da Infraero e dá detalhes. Diz a editora Gabriela Dobner: Quem ligou para a Infraero foi a nossa editora Camila Nascimento. Ela ligou para o telefone da assessoria de imprensa da Infraero e conversou com a assessora Roseane, que informou à nossa editora que se tratava da queda de um avião, mas que eles não tinham outros detalhes, pois trabalhavam para recolher todas informações. Questionada se era um avião de pequeno ou grande porte, se era da empresa Pantanal, como estava sendo noticiado, a assessora disse que essas informações ela não tinha, mas estava trabalhando para recolher as informações. Questionada mais uma vez se seria um avião, a assessora disse que sim, mas não tinha mais detalhes. Ela pediu o telefone da Redação e disse que ligaria quando tivesse mais informações. Ligamos, minutos depois, e ao conversar com a assessora Ana, que se apresentou como coordenadora da equipe, a informação foi desmentida para a mesma jornalista. Ela chamou a Roseane, que disse não ter dito que havia dado esta informação. A conversa não foi gravada, não sendo possível reproduzi-la.
Há diversos aspectos, portanto, que ainda precisam ser examinados, para tentar esclarecer o caso. Se o iG está certo, não pode mais se basear na Infraero. Se está errado, faltando com a verdade, deve publicar a correção da correção?
O mais importante deles já está evidente: a apuração foi precária, a confirmação foi mambembe, os critérios para que a notícia chegue ao leitor foram frouxos. O iG precisa submetê-los a uma completa revisão para garantir que entrega aos internautas notícias dignas do nome.
enviada por Mario Vitor Santos
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