"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

05/05/2008 18:33

Injustiça giratória

Reportagem publicada ontem no iG anuncia a sentença ainda antes do fim da investigação. O texto do iG acusa cidadãos presos durante a Operação Santa Tereza da Polícia Federal de serem “integrantes de uma organização criminosa” (leia aqui).

Os responsáveis pela investigação citam Paulo Pereira da Silva, deputado federal e presidente da Força Sindical, como sendo um dos beneficiários de partilha de recursos que teriam sido desviados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Confira o seguinte trecho da reportagem intitulada “Inquérito que cita Paulinho em desvio de verba vai ao STF”, veiculada ontem no iG.

“Interceptações telefônicas pegaram integrantes da organização criminosa que agia como elo entre o BNDES e prefeituras dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba e Rio de Janeiro negociando contratos para obras fantasmas. O lobista João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor de Paulinho, é apontado como o principal operador do esquema.”

“Os grampos flagraram Moura e o empresário Marcos Mantovani ajustando a divisão de valor equivalente a 2% a 4% sobre financiamentos concedidos à Prefeitura de Praia Grande (R$ 124 milhões) e às Lojas Marisa (R$ 220 milhões).”

Dá para perceber, portanto, que o iG continua imputando crime a pessoas que ainda não tiveram direito a defesa. Segundo a reportagem, elas foram “flagradas” (verbo tipicamente policial, associado ao crime) negociando “contratos para obras fantasmas”. Veicula-se, portanto, docilmente, a versão vazada por investigadores da Polícia Federal. O outro lado, a versão dos acusados, é simplesmente ignorada neste texto, que mereceu chamada na capa do portal.

A associação entre imprensa e órgãos de segurança na ditadura militar deixou recordações comprometedoras de episódios que os meios de comunicação preferem esquecer.

A colaboração e a dependência das polícias permanece no período democrático e prejudica a imparcialidade e o equilíbrio que deveriam reger o trabalho dos jornalistas. Repórteres do iG, que deveriam fazer investigações independentes, aceitam aquilo que é vazado pelos agentes e desprezam a audição aos acusados. Essas acusações espalhafatosas muitas vezes não se sustenta na Justiça.

A prática difamatória é generalizada e afeta todo tipo de acusados, especialmente os que estão fora do centro do governo. Atinge membros dos diferentes partidos. Faz-se justiça, semeando injustiça contra todos.



enviada por Mario Vitor Santos






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