"Antes, pensava que nem valia a pena responder rumores absurdos. Hoje é preciso reagir contra todos os boatos"
Do estrategista republicano Todd Harris, no site BlueBus
06/05/2008 15:41
O beijo de Cássio
O iG exibiu durante algum tempo em sua capa na manhã de hoje uma notícia que deve ter sido campeã de cliques, antes de desaparecer de todas as capas (iG, Último Segundo e Brasil), por volta do meio-dia. Era a reportagem, de algumas linhas, que acoplada a um vídeo postado no You Tube, em que o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, que é casado há mais de vinte anos, aparece tocando percussão e beijando uma jovem loira.
A princípio, não há nada o que opor à divulgação da notícia. Afinal, o governador é uma figura pública, seu comportamento em público, num bar ou numa festa, é de interesse geral.
Dito isto, vale dar atenção para o fato de que a notícia certamente causou constrangimento à família do governador. Claro que o maior constrangimento é o ato em si, mas a divulgação o amplifica.
A mulher do governador, Silvia Almeida Cunha Lima, certamente foi afetada. Ela é personagem tão pública quanto ele? Talvez. E os filhos? Como ficam essas pessoas ao saber desses fatos pelo iG?
Vale também refletir sobre o You Tube. Tudo o que é postado lá deve ser divulgado? Qual o critério que deve orientar o iG nessas veiculações de conteúdos de terceiros que não se submetem aos mesmos controles que o iG? São considerações que devem ser levadas em conta quando um escândalo surge, mesmo que a rotina e a concorrência mandem disparar primeiro e pensar depois.
Na pequena reportagem sobre assunto (clique aqui), o iG informa ter tentado ouvir a posição do governador, que não quis se pronunciar. O iG agiu bem ao tentar ouvir o outro lado. Mas poderia ter ido atrás de mais informações.
No áudio do vídeo há vozes zombando do comportamento de Cunha Lima. Num trecho é possível distinguir entre gargalhadas alguém que diz algo como "êta governador bão".
Dá a impressão de que o vídeo pode ter sido registrado por adversários do político, o que também é uma informação relevante. Ou seja, há muito jornalismo a ser feito neste caso. Não basta veicular temas sensacionais e logo passar a outro. É preciso ir atrás da notícia inteira, começando, por exemplo, pelo que já está na mão.

enviada por Mario Vitor Santos
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