"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

08/05/2008 17:46

O iG em busca de uma personalidade cultural

O iG precisa dar mais atenção à Cultura, uma das áreas mais nobres dos grandes veículos jornalísticos do Brasil e do Mundo. Cultura pode ser sinônimo de inteligência, juventude, inquietação, liberdade e... negócios.

Pode, porém, significar consumo vazio, ignorância e perda de tempo. A cobertura de temas culturais como cinema, música, teatro, televisão, dança, literatura, artes plásticas e outros define a personalidade do veículo diante do público.

Nessa área, este portal ainda tem muito a avançar, pois o iG não dispõe de um espaço dedicado exclusivamente à reflexão cultural de melhor nível.

Não tem um suplemento ou revista voltada para a arte, que se disponha a substituir ou recriar na internet a tradição de cobertura cultural desenvolvida ao longo da história dos meios de comunicação.

O Estadão tem o “Arte & Lazer”, o Globo tem “Prosa e Verso”, a Folha tem o “Mais”, O Estado de Minas tem o “Pensar”. E o iG, o que tem o iG nessa área?

Deve haver alguma razão para que a cobertura cultural misturada com a rubrica “Diversão”, seja uma espécie de sinal para o domínio exclusivo, ao menos nos títulos das capas, dos assuntos mais juvenis, superficiais, televisivos e noveleiros.

Alguém poderia lembrar que o iG tem blogs relevantes na área cultural, como o de Jorge da Cunha Lima. É verdade. Tem também Lucio Ribeiro, em Música e cultura pop no seu blog Popload. Luís Nassif também dá atenção a essa área. O blog do Favre se aventura também por temas artísticos. Mas isso parece confirmar a sensação geral de que o iG não tem foco na cobertura cultural.

A prioridade cultural do iG é submissa quase exclusivamente aos padrões descartáveis da cultura de massas. A cobertura cultural e a reflexão crítica mais profunda não têm espaço nem prioridade. Pausa para uma pergunta óbvia: como podem os jornalistas do iG valorizar pessoalmente certos temas e divulgar coisa muito diferente quando trabalham para o “grande público”?

A cultura de alto nível é um dos temas em que o país se reconhece. O que está em cartaz em São Paulo e Rio atrai a atenção do país. Sem falar das outras regiões, o que o iG destaca é material estrangeiro, que vem das agências internacionais.

O iG tem sede em São Paulo e uma base de operações no Rio. Deveria usá-las para cobrir o que acontece e potencializar sua imagem, audiência, personalidade como veículo.

A cobertura cultural de bom nível atrai um público de alta escolaridade e maior poder aquisitivo. É uma contradição que haja um setor cultural cada vez maior e uma cobertura e reflexão cada vez mais fracos.

A mídia está se atrasando em relação ao público mais exigente, e o iG mais ainda. Está na hora de cuidar dos detalhes desse trabalho. O iG até bons parceiros, mas precisa destacá-los mais. Tem também áreas muito defeituosas. É o tema do próximo post. Por enquanto, confira os títulos das capas das áreas de “Diversão” (iG) e “Cultura e Diversão” (Último Segundo) de hoje.


Aba de Diversão, na home do iG


Aba de Cultura e Diversão, dentro do Último Segundo

enviada por Mario Vitor Santos






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