"Interatividade e imagem são marcantes, mas não imitem na internet o que vocês vêem na TV. Multimídia não é TV"
De Randy Covington, no Congresso Brasileiro de Jornais
07/05/2008 11:32
O leitor às cegas em meio ao bombardeio
Texto oriundo da agência France Presse agora de manhã diz que "ataque israelense em Gaza deixa 11 palestinos feridos", sendo que "10 deles integrantes do Hamas". O texto (clique aqui) é vago. Atribui a "fontes palestinas" a informação de que foram usados blindados e tanques, além de um avião sem piloto. Diz ainda que uma "fonte militar de Israel confirmou"(verbo complicado) que o Exército abriu fogo contra "elementos palestinos armados" (aspas minhas).
Muitas vezes na cobertura de conflitos, as únicas fontes disponíveis são militares. A informação é sempre moldada para servir aos interesses de quem divulga.
Aos jornalistas, não resta outra alternativa senão publicar as informações divulgadas por um dos lados da batalha. Muitas vezes, não há tempo nem condições para checagem. São informações urgentes, que tratam de mortos, feridos e outros estragos.
O anonimato ("fontes palestinas", "fonte militar de Israel") é a regra nesse tipo de jornalismo de propaganda e contrapropaganda. Agora, o que realmente intriga é por que o texto tortuoso da France Presse não informa quem disse ou confirmou que, dos onze feridos, dez eram do Hamas.
Repito: quem deu essa informação? Ela supõe uma operação bem-sucedida e "cirúrgica", foi Israel entäo? Foi o Hamas? Algum jornalista ou testemunha checou a identidade e a filiação política dos feridos? Não? Então, bastava informar a fonte da notícia e o leitor já poderia fazer as interpretações cabíveis.
Do jeito como foi divulgada, como saber de verdade, se quem veicula a informação é uma agência, um ente distante, sendo o iG provavelmente um mero autômato? Num futuro ideal, deveria haver, como nos remédios e automóveis, requisitos mínimos obrigatórios para a emissão de qualquer informação, sem o que ela não poderia ser considerada jornalismo seguro.
Por enquanto, o leitor terá que ter um papel mais ativo na internet do que tinha na velha mídia, buscando ele mesmo relatos dos diversos lados, se quiser montar um quadro mais bem informado e confiável. No caso desse texto, terá que aguardar novas atualizações, que poderão até desmentir o que ele informa.
Dá trabalho escapar da manipulação que parece crescer sem controle, vindo inclusive dos centros que deveriam ser responsáveis por zelar pela objetividade e imparcialidade. Apesar disso, o leitor que se empenha consegue achar algo do que procura. Seria bom que o internauta do iG achasse o essencial em cada texto. A longo prazo, isso pode ser decisivo.
enviada por Mario Vitor Santos
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