"As informações recentes dando conta do meu falecimento são altamente exageradas"
Steve Jobs, citando Mark Twain, após nota falsa de sua morte

07/07/2008 11:39

Flip, realidade e sonho

Em comparação com o ano passado, o iG saiu-se bem melhor nesta edição da Festa Literária de Paraty. Os destaques foram os blog de Sérgio Rodrigues e Jorge da Cunha Lima e o acompanhamento feito em tempo real pelo repórter Marco Tomazzoni.

Os evidentes progressos iniciais em planejamento e organização da cobertura mostraram resultados. O trabalho talvez demore a render audiência junto a um público mais qualificado como o da Flip. Para isso, vai ser necessário mostrar continuidade e consistência ao longo do tempo.

Alguns aspectos a destacar:

1) A cobertura literária não pode viver apenas de surtos, como os que acontecem durante eventos como as feiras do livro e a própria Flip. Esses devem ser usados como estímulo para a criação de edições jornalísticas do iG com periodicidade regular comandadas por editores e equipes especializadas e voltadas para a literatura;

2) No futuro será importante manter a organização básica e também imprimir mais criatividade e "faro jornalístico" à cobertura. Faltou identificar personagens e temas que rendessem boas reportagens e entrevistas, dando mais peso aos temas;

3) A cobertura das mesas, ou seja, daquilo que os palestrantes falam durante as sessões, é o filão essencial;

4) Os debates já estão sendo transmitidos ao vivo, o tende a satisfazer o apetite dos mais ávidos. Cabe ao tempo real dar um resumo imediato e aos blogs ressaltar aspectos interessantes e fazer comentários críticos;

5) A cada edição da Flip vai ficar mais importante o trabalho de planejamento e preparação informada das pautas, bem como o uso de equipes capazes de obter as entrevistas com quem é mais relevante falar.

O que falta no acompanhamento do dia-a-dia da literatura (especialmente no iG) sobra nesses eventos. Há exagero e redundância. Os veículos tendem a ceder demais a um inevitável tom de cobertura de celebridades e a descuidar das questões mais enriquecedoras.

As obras e as trajetórias dos autores participantes não são bem conhecidas pelos jornalistas. Há uma tendência a aceitar e a desenvolver pouco aquilo que é dito pelos escritores. Uns autores viram estrelas instantâneas em Paraty e são sufocados por perguntas de entrevistadores desinformados. Outros, que são tão ou até mais relevantes, passeiam relativamente ignorados pelas ruas da velha cidade, sem que nenhum repórter tenha informação e preparação para estimulá-los a uma conversa que revele a riqueza de seus conhecimentos, experiências e opiniões.

A literatura sempre está ligada a vários outros temas, como a política, o esporte, a filosofia, a arte e os temas internacionais. Quem acompanha essas questões no dia-a-dia do iG também deveria ser acionado para, ao lado da equipe de especialistas em literatura, cobrir a Flip. A partir do padrão básico alcançado neste ano, dá para sonhar mais alto.

enviada por Mario Vitor Santos






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